O primeiro (show) a gente nunca esquece

Notas

Olá, visitante deste humilde cyber-diário. Como foi de feriado? Espero sinceramente que tenha aproveitado bastante a sexta-feira 13. Então, neste sábado 14, irei me despir de todos os aparatos, formatações, leads e subleads que a estrutura de um texto jornalístico exige, para pura e simplesmente contar uma passagem da minha vida.

Diz o ditado: “O primeiro a gente nunca esquece”. E isso vale pra tudo na vida. O primeiro dia na escola, a primeira viagem de férias, o primeiro beijo, o primeiro carro, o primeiro mico em público… enfim: isso fica marcado pra sempre na memória.

E o que dizer do primeiro show? E se este show for de um mega-hiper-ultra-astro do rock? Esta é a história de hoje.

Bem. Vamos pressionar a tecla REW do vídeo-cassete da marca Cerebral e localizar o longínquo ano de 1983, mais precisamente num domingo, 15 de maio. Eu, então com cinco anos de idade, era um pequeno menino apaixonado por Rita Lee.

Musicalmente falando, Rita Lee e Roberto de Carvalho reinavam plenos e absolutos no posto de maiores nomes da música brasileira naquele início de década. Vinham de uma chuva de sucessos, que conquistavam milhares de pessoas, dentro e fora das terras brazucas. Não importava: fosse eu, lá do alto dos meus (quase) seis anos, fosse o Príncipe Charles – que também dançou Lança Perfume, só que na Inglaterra – todo mundo amava Rita e Roberto.


(foto da capa do Programa “Tour Brasil 83”, distribuído no show)

Retornando ao 15/05/83:
Rita & Roberto armaram as lonas do show “Circo” no Maracanãzinho, naquele fim-de-semana de ventos de maio para encerrar a Tour Brasil 83, uma superprodução de luz e som jamais feita por outro artista brasileiro, cheia de recursos tecnológicos. Ou seja, o máximo do máximo do máximo.

E eu fui levado por meus pais (e, de quebra, tios, tias, todo mundo lá de casa) pra ver o show. Como chegamos bem cedo ao Maraca Jr, ficamos na beira do palco que, segundo os registros do meu VHS da marca Cerebral, era bem alto, mas dava pra ver tudo. E a minha paixão por Rita Lee impressionava as pessoas em volta, que achavam engraçado um menino tão pequeno vibrando por ela.

E vibrava mesmo. O show começou, e eu lembro da minha histeria naquele espetáculo, que parecia ter saltado da tela da TV para o meu mundo real. De repente, a Rita Lee que girava na minha vitrolinha vermelha da Philips, que aparecia no programa do Chacrinha, estava ali, pertinho, cantando aquelas músicas inesquecíveis. No sobe e desce do palco, no acende-apaga de luzes e no troca-troca de figurino, tinha de tudo: Doce vampiro (que minha mãe conta até hoje que eu, na hora, fiquei com medo, risos), Eu e meu gato, Saúde, Lança Perfume, Cor-de-rosa choque (que todas as manhãs abria o TV Mulher da Marília Gabriela)…

(mais uma do programa “Tour Brasil 83. Juro que, se soubesse quem tirou essas fotos, as teria creditado)

Enfim. O dia já estava bom demais, mas Deus também estava ali no Maraca Jr, e fez a coisa melhorar. No final do show, Dona Rita chamou, pra cima do palco, as crianças que estavam ali perto dela. Mais ou menos umas dez, ordenadas em fila, por tamanho. Eu, o menor de todos, vinha logo atrás de Rita, que formou um trenzinho que passeava pelo palco…

Sinceramente, não tenho a mínima noção de qual era a música cantada por ela naquele momento, pois estava em estado de choque com o que estava acontecendo. De repente, eu, Fábio, o menino de cinco (quase seis) anos, estava lá em cima, junto da rainha. A lembrança que eu tenho desse momento é exatamente essa: os refletores do Maracanãzinho ligados, a minha família lá embaixo vibrando comigo, e a Rita me puxando pra lá e pra cá por aquele palco gigante.

A música (que, como disse acima,não lembro qual era) acabou, e o show também. E ela abaixou-se, me deu um beijo, e eu fui pra casa ultra-mega-hiper-power feliz, com aquele momento gravado no vídeo-cassete da marca Cerebral, num vídeo que nem o tempo vai apagar.

Quem, semanas atrás, assistiu o encontro de Rita com Arnaldo Jabor no Altas Horas, viu o que o autor de Amor é prosa, sexo é poesia disse ao receber um beijo de Rita Lee: “nunca mais vou lavar o rosto!”. Pois é: foi exatamente o que eu disse, ao sair do Maraca Jr, que nunca mais iria lavar o rosto e as mãos, que guardaram durante horas o perfume da minha “amiga de show”.

Pena que, na segunda-feira, 16 de maio de 83, alguém lá em casa tinha que tomar banho para ir à escola. Mas o perfume daquela noite permanece na minha cabeça, quer dizer, no VHS gravado no vídeo-cassete da marca Cerebral.

Ah! assistam a um trecho do Jornal Hoje, de 16/05/83, falando do show:

5 comments

  • Bela história, embora você saiba que eu… me mordo de ciúmes, lembro muito bem daquela pirralhada em cima do palco e eu lá, looonge. Buááááá…
    E que tal citar o local do furto do ingresso no seu espaço de "Outros blogs"? Põe o endereço do meu lá, pô.

  • Veja lá, que história é essa de que eu sou o Fruto Proibido????
    Você sabe que depois que fiz 40 anos… já tô ficando esclero em algumas coisas.
    Um beijo!

  • Putz… que história phodaaaaaaa!!! Eu completava 1 mês e 15 dias bem no dia deste seu lindo acontecimento aí(rsrs). Porém, me identifico com tudo isso pelo fato de gostar da Rita desde criancinha… minha irmã mais velha vivia com lps de rock nacional debaixo do braço e eu já achava aquele som o máximo!!! Rita estava sempre lá na pilha de discos. Me lembro de outros fatos tbm, tipo, papai chamando a pessoinha aqui – que geralmente estava brincando na rua ou no quintal – para ver a Rita Lee na tv… enfim… Viva!!!

    Ah… parabéns pelo blog!!! Óóóóóteeemoooo!!! Essa é a minha primeira invasão aqui… e que delícia!!!

    Grande beijo!!!

  • Nossa Fabioo que historia mais linda !!! e verdade a gente nunca esquece esses momentos maravilhosos, so quem ja viveu algo parecido com isso ao vivo e a cores tem nocao do que vc esta sentindo. E uma coisa que nao da pra explicar…. e unicaa e inesquesivel !!

    beijos
    Marcia Google

  • Oi Fabio,
    Pesquisando sobre esse show, acabei achando seu blog e lendo essa historia mais de 10 anos depois que vc publicou. Sua historia é super parecida com a minha, foi meu primeiro show também, eu tinha 8 anos e fui com a minha mãe, tias e primos. Fiquei no palco e para minha loucura a Rita ofereceu o microfone pra mim e eu cantei um pedacinho de Cor de Rosa Choque! O primeiro show realmente é inesquececivel! bjs

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