Discoteca: “CAETANO VELOSO E OS MUTANTES AO VIVO” (Philips, 1968)

Discoteca

No auge da ditadura militar, outubro de 1968, dias após a histórica vaia de É proibido proibir na eliminatória paulista do terceiro FIC, em 28 de setembro daquele ano, Caetano Veloso, Gilberto Gil e os Mutantes Arnaldo Baptista, Sérgio Dias e Rita Lee fizeram uma temporada de shows que marcou época no Rio de Janeiro.

No palco da extinta boate Sucata, os jovens músicos fizeram, segundo Caetano Veloso, “a mais bem-sucedida peça do tropicalismo”. Parte do registro daquele encontro ficou gravado no compacto duplo que a Philips lançou logo depois, com quatro faixas. No lado A, A voz do morto e Baby; no B, Saudosismo, uma homenagem a João Gilberto escrita por Caetano Veloso – e regravada por ele 30 anos depois no CD Prenda Minha, de 1998 – e Marcianita, canção de Marcone e Alderete, adaptada por Fernando César.

A temporada na Sucata não durou muito tempo, mas foi suficiente para incomodar às Forças Armadas. Um boato de que Caetano Veloso cantara no show uma versão do Hino Nacional Brasileiro com versos ofensivos ao Exército, foi o bastante para pôr fim aquele espetáculo, que trazia no cenário a emblemática frase “Seja Marginal, Seja Herói”, do artista plástico Hélio Oiticica, com a imagem do “bandido” Cara de Cavalo estendido no chão, em alto contraste.

Naquele momento, onde tudo no Brasil era proibido, ao contrário da proposta da canção, e nada era divino, maravilhoso, qualquer tentativa de expressão poderia ser considerada subversiva, uma ameaça em potencial. Tanto que, um mês e meio depois, em 13 de dezembro de 68, foi decretado o Ato Institucional nº 5 – ou o AI-5 – colocando uma mordaça em toda a classe política e artística. Caetano e Gil foram presos e, em seguida, exilados. E o resto é história.

Quarenta anos depois, o compacto tornou-se um disputado item de colecionador. Confira abaixo a relação de faixas:

Lado A:
A voz do morto
(Caetano Veloso)
Baby (Caetano Veloso)

Lado B:
Saudosismo
(Caetano Veloso)
Marcianita (Marcone / Alderete / Fernando César)

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